Saúde e Bem Estar

ENEM 2022: Questão traz uma análise de como as redes sociais podem afetar a felicidade e a saúde mental dos jovens

Filtros, corpos esculturais e uma felicidade inabalável. É só dar uma “scrollada” no feed das redes sociais que nos deparamos com uma vida perfeita, sem rugas, sem problemas e inalcançável. O tema é tão relevante que foi uma das questões da prova do ENEM 2022 que aconteceu neste domingo, 14/11. O texto fala sobre positividade tóxica, idealização corporal e de vida e o quanto tudo isso tem afetado adolescentes e adultos.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças e problemas. A busca por um padrão ideal tem levado cada vez mais a clínicas de estéticas e centro cirúrgicos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 2019, foram realizadas 1,7 milhão de cirurgias plásticas, sendo que a maioria delas (60%) para fins estéticos. Os jovens brasileiros, muitos adolescentes, acompanham esse ritmo e são os que mais se submetem a cirurgias plásticas no mundo.

“Alguns estudiosos sugerem que, o fato de investirmos grande parte do nosso tempo vendo outras pessoas nas redes sociais através de uma câmera, aumentou exponencialmente a obsessão pela autoimagem e pela busca incessável por uma perfeição produzida e irreal. Com isso, a procura por procedimentos e cirurgias plásticas ao redor do mundo aumentou”, analisa Dra. Ana Borba, médica e cirurgiã plástica que ao lado da também cirurgiã Maria Julia Norton, são cofundadoras da clínica Lis Concept. Esta última ressalta a importância de entender que cada corpo é único e a cirurgia não é brincadeira:

“É fundamental ter em mente que o procedimento cirúrgico é algo sério, que envolve transformação física que, em muitos casos, não é possível reverter. Além disso, o procedimento tem como objetivo corrigir e melhorar a saúde do paciente, mas isso nem sempre resolve questões mais complexas e profundas, como mentais e de autoestima. Por isso, em alguns casos é indicado o atendimento psicológico para fortalecer a própria imagem e ter consciência acerca dos desejos pessoais”, explica Dra. Maria Júlia.

Preocupadas em apresentar a realidade para suas pacientes, as cirurgiãs utilizam uma técnica de realidade aumentada que possibilita ter uma visão realista de qual será o resultado do procedimento através de uma simulação 3D, com projeção do resultado cirúrgico, o pré operatório, a posição da cicatriz e as medidas da mama. "Nossas pacientes recebem uma amostra do que será a sua cirurgia, podendo visualizar diferentes volumes e formatos", ressalta a Dra. Ana Borba.

As doutoras reiteram que há informação à disposição e que os pacientes precisam usar isso na hora de escolher o médico: “Se as redes sociais colaboram para que as pessoas fiquem mais obcecadas e incomodadas com a própria imagem, por outro elas facilitam o acesso à informação. Então, por meio das redes sociais, uma pessoa que deseja realizar uma cirurgia plástica pode tirar dúvidas, conhecer melhor o perfil de médicos cirurgiões, ler notícias e artigos sobre o tema, assistir a vídeos e muito mais. Todos esses recursos são válidos para uma análise e tomada de decisão assertiva”, finaliza Dra. Maria Júlia.

As Dras. Ana Borba e Maria Julia Norton, cofundadoras da clínica Lis Concept – no Rio de Janeiro, são Membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e possuem Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e AMB. Ambas são graduadas em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A Dra. Ana Borba fez Residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital Federal de Ipanema (HFI). Já Dra. Maria Julia fez Residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado do RJ, com Residência Médica em Cirurgia Plástica e Reparadora pelo Hospital Municipal Barata Ribeiro.


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